segunda-feira, 24 de junho de 2013

KateNasheando.

Eu preciso escrever sobre o dia de ontem para não esquecer, para minha memória não pregar peças em mim e eu acabar com vários espaços vazios sobre o que aconteceu porque foi rápido demais, mas foi lindo.
Peguei o trem com meus amigos, fui até o Brás, de lá peguei o metrô e fui até a Barra Funda. Encontrei todos os mais lindos da minha vida e felizes, felizes, fomos até o Memorial da América Latina.
Tomamos umas brejas, fumamos alguns cigarros, e ficamos conversando. Percebi que a minha volta só tinha meninas e meninos 'descolados', casais 'hipsters'. Nunca tinha visto tantas ruivas em um show antes e cada uma com uma tonalidade diferente. Me deslumbrei e analisei qual das cores seria mais apropriada para a minha próxima experiência.
Você deve estar se perguntando então porque haviam tantas RUIVAS, e eu te respondo aqui e agora: ora, porque eu fui ao show da Kate Nash!
Lembra dela? Aquela moça lindinha que eu comecei a ouvir quando tinha dezesseis anos e me apaixonei. Comprei o primeiro cd  "Made of bricks" no dia do meu aniversário de dezessete anos e passei meses e meses enchendo o saco de todos a minha volta ouvindo aquela moça todos os dias. Me arrisco a dizer que aqui nesse blog há vários posts com letras de músicas dela, com sentimentos inspirados por ela, pela alegria doce que ela me trouxe em dias difíceis e em dias bonitos. E mais, me arrisco a dizer que se sou quem eu sou hoje, se penso, se escrevo da maneira que escrevo, se sinto o que sinto, foi porque ela me ajudou muito a ver o mundo com outros olhos.
Depois dos cigarros e cervejas entramos no Memorial e ficamos juntos do povão curtindo o Bonde do Rolê fazendo versões divertidas, mas um tanto quanto excêntricas, do  Cure. Cantei porque estava feliz e como era cedo ainda, fiquei imaginando se aguentaria até a entrada da minha musa.
Fomos nos mexendo e fomos chegando perto do palco, não tão perto agora mas esperando pelo momento certo de ir arriscar e chegar à tão sonhada grade.
A tal banda que metade da galera tava esperando pra ver chegou, eles cantavam bem, mas confesso que quase dormi e já não aguentava mais a música, o barulho, a caixa de som que estava perto de onde estávamos. E então, uma grata surpresa: participação especial do Marcelo Jeneci com a banda, tocando e encantando com sua sanfona e interpretando uma música do Cae. Jeneci é incrível e apesar de já desejar sentar no chão (mesmo sabendo que jamais conseguiria por causa da lotação) até arriscamos uns passos de dança. Fim do show da banda Magic Numbers e a galera foi se mexendo, alguns indo embora, nossa chance, então, de ir chegando mais próximos da grade.
O tempo de espera para o show da Kate, depois do show dos Magic Numbers, foi o pior. Eu já estava muito cansada, com dores em todas as partes do corpo, com fome, sede, querendo sentar e dormir, com a gastrite meio atacada de nervoso e uma leve náusea. A tontura também estava presente, um pouco de pânico por saber que se as vertigens viessem eu daria trabalho a todos meus amigos e eles não conseguiriam ver o tão aguardado show. Mas aí o apresentador do show veio e nós já sabíamos que ele iria apresentar ela e nos animamos. De repente o telão se encheu com fotos dela cantando tão linda, parecendo uma daquelas divas do cinema dos anos cinquenta. E aí, ela entrou no palco, cara. E a mágica aconteceu.
Eu fui esquecendo o quão cansada eu estava, a emoção foi absurda, eu queria pular e cantar e gritar com ela e saber que a gente finalmente tava cantando juntas, JUNTAS, de fato, me emocionou.
As músicas foram rolando e a cada brecha que percebíamos, íamos nos aproximando do palco e quando me dei conta, estávamos já o mais próximo da grade que podíamos e tão perto, tão perto dela que quando ela se aproximava da grade e da multidão para abraçá-los eu conseguia ver direitinho seu rosto. Era ela, de verdade. Tão branquinha, cheia de sardas, louca abraçando a multidão e conversando com a plateia olho no olho.
A cada vez que ela se aproximava da platéia, minha amiga me olhava em pânico porque estar tão perto da Kate deixava a gente em pânico, nervosas com aquela quebra fantástica da realidade. Quer dizer, a moça dos encartes dos meus discos, dos vídeos do youtube, a moça que escreveu a trilha sonora da minha vida desde os meus dezesseis anos, todas as fases complicadas da minha vida desde então, estava ali na nossa frente, cinco passos (preciosos passos) à nossa frente.
Chegou uma hora que a náusea estava imensa, era muita gente se espremendo, mas de certa forma consegui entender a fúria dos shows de hardcore naquela hora. Enquanto as músicas mais punks tocavam, e a gente pulava e se espremia e se empurrava, a gente alcançava uma certa libertação dos problemas.
Enfim, o show acabou com ela cantando minhas duas músicas favoritas do primeiro cd (we get on e birds) e consegui me desvencilhar do povo que se espremia e fui achar meus amigos  e conversar.
Foi naquele momento que percebi que uma parte da multidão que havia permanecido até o final estava nas grades e vi que minhas amigas me chamavam e percebi que a Kate deveria estar ali, então fui.
Ela estava à uns vinte passos da gente, e eu fui  a chamando, chamando, chamando até que ela se aproximou e parou na minha frente esperando pra ver o que a gente queria, da maneira mais fofa possível e eu segurei na mão dela e ela disse "thank you, thank you" e eu entrei em choque.

e estou em choque até agora. E é por isso que preciso escrever sobre o que aconteceu ontem, o medo de esquecer está grande. O saldo foi muito positivo, apesar das dores em todas as partes do corpo, da pressão que subiu de nervoso por  vê-la e  o enjoo na volta por causa do trem que se balançava, eu faria tudo novamente quantas vezes fosse possível só para vê-la de novo e segurar em sua mãozinha.


sábado, 15 de junho de 2013

A rua é a MAIOR arquibancada do BRASIL

A Sé é linda e ficou ainda mais bonita hoje com tanta gente LUTANDO



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Pois os tempos estão mudando



Foram quatro protestos até o dia de hoje, sexta feira. Quatro dias em que o fogo da revolução nos queimou por dentro muito mais do que o gás de pimenta ou qualquer bomba de efeito moral do estado poderia nos queimar.
Meus olhos se enchem de lágrimas quando lembro e quando vejo aquelas MILHARES de almas decididas a lutar contra o sistema, decididas a barrar as impunidades e massacres feitos por esses que fingem que nos protegem e que nos representam.
Cães, porcos, fascistas, capachos da burguesia: O BRASIL ACORDOU!


O peito ontem angustiado por saber que você estava lá e eu não; por medo da repressão da polícia que poderia te pegar; por te imaginar caído, apanhando e sendo humilhado por aqueles porcos fascistas. Andei, andei sem ver direito, com meus pensamentos que não saiam de você.



“ideias são a prova de bala” já dizia o querido V

sábado, 8 de junho de 2013

A flor da mocidade consumi

É possível que o mundo pare por algum tempo no aguardo de grandes acontecimentos? Me sinto ultimamente como se estivesse em uma espera infinita pela próxima era, por uma próxima fase. Parece que tudo está em espera e às vezes confundo isso com uma regressão.
Obviamente, eu sempre soube que esse ano seria assim, como se dessa maneira houvesse um equilíbrio sendo restabelecido pelo universo  que já me deu agitação o suficiente no ano passado. 

Ando meio sem esperanças, pra ser sincera, e sem grandes alegrias.Mas acho que finjo bem o contrário já que todos me acham mais feliz do que  habitual e mais engraçada também. 

Ano passado eu me sentia ferida constantemente e com isso parecia sempre meio ranzinza perto dos meus amigos, esse ano  alguma coisa mudou e ando apática. A apatia à tristeza é o lado bom, o ruim é a apatia às alegrias, parece que isso me faz reagir de maneira contrária e  e me faz fingir que estou ótima, e sempre me vejo fazendo muitas piadas e sempre estou sorrindo e dando gargalhadas, fazendo os outros sorrirem das minhas brincadeiras, mas quando estou sozinha...

Quando me vejo sozinha, a tristeza me sufoca e percebo que sou o verdadeiro não-ser, a não-vontade, o não-desejo, sem perspectivas.

Estou velha demais para meus vinte e um anos. 


Preciso fugir do eu e do que faz de mim o que eu sou. 


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Escória.

Eu ouço você falar e sinto nojo dessa posição superior na qual o mundo te coloca e que você abraça  e engole com o peito aberto, com o sorriso nos olhos: superior, macho, heterossexual, branco.

Homem tão homem que vive ainda debaixo da saia da querida mãe, homem tão homem que reclama quando sua mulherzinha, que trabalha como LOUCA pra te sustentar, resolve não fazer a comida.

Você é tão macho que se sente no direito de dizer quando uma mulher deve ou não ter um filho e como ela deve reagir quando é estuprada: quando tem o corpo violado por HOMENS TÃO HOMENS quanto você.

Eu ouço você falar e fico sem argumentos e não é por FALTA dos mesmos. Não, não é. É pelo nojo de dividir a minha casa com gentinha do seu tipo.


Homem? Você acha que pode se considerar um HOMEM?  Acho que na verdade pode sim, essa palavra implica em tantas coisas ruins que não me surpreende que você seja UM HOMEM. Na verdade, a culpada sou eu por tentar conversar com um HOMEM feito você.

eu tenho nojo, muito nojo.

E é nessas horas que é bom não compartilhar NEM o mesmo sangue com você.

sábado, 1 de junho de 2013

Não, não importa.

And it doesn’t matter
How many colours I paint my nails
I still feel the same
And it doesn’t matter
How many times I change my clothes
I still feel the same
And it doesn’t matter
How much I stay indoors, leave the house
I still feel the same
And it doesn’t matter
How much I have to drink
I still feel the same
And it doesn’t matter
How loud I play my music
I still feel the same
And it doesn’t matter
What my good friends tell me
I still feel the same
And it doesn’t matter
How much I hurt myself
I still feel the same
And it doesn’t matter yeah
No, it doesn’t matter
‘Cause I still feel the same


o dia é seu, mas  não importa.  Não há um dia, desde que te conheci, que eu  não pense em você