Estava frio, não estava? Por dentro, por fora e em todos
os lugares. O frio do medo, o frio da insegurança e a loucura da fome.
A fome.
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A fraqueza.
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A certeza da morte.
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Tantas oportunidades perdidas de voltar pra casa, tantos
lugares os quais você poderia ter chamado de lar e todas aquelas pessoas te
dando amor, afeto e calor. Mas você sabe que isso tudo não te pertence mais, é
tarde demais para você...
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O arrependimento, então, te consome por dentro e as
lembranças de dias bons e quentes aparecem em ondas de amargura: A antiga força
de seus braços e pernas te permitindo carregar seu próprio peso e o ar que
entra pelos seus pulmões sem nenhum sofrimento. Sem nenhum sofrimento... Ele
passa fácil pelo seu corpo e te faz pensar que nada nesse mundo é mais vivo do que você.
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Só que você é apenas um menino. Apenas um menino cheio de sonhos que
oprimido pelo mundo, tentou buscar a felicidade na natureza. Você não precisa
de dinheiro, você não precisa de ninguém. Você precisa da estrada e precisa
encontrar seu deus nos pequenos lugares
onde ninguém mais vai procurar.
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Você o encontra e
a verdade absoluta que existe nele te entristece. A epifania que acontece é o desfecho de toda
uma vida. É tarde demais pra você, é tarde demais pra você...
“Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição”
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição”









