sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ok

eu amo você


meu Deus, eu não sei se é carência ou qualquer coisa relacionada a isso, mas eu AMO VOCÊ!

já perdi as estribeiras e estou admitindo pra mim mesma que desde a primeira vez que te vi eu soube que algo aconteceria... desde as primeiras palavras, os primeiros sorrisos... e não há segredo nenhum que você me conte que mudará isso, eu não sei mais o que fazer!


O que eu devo fazer?

Eu não te conto, mas com pequenas palavras e gestos deixo claro todos os dias, eu escrevo aqui sempre só pra você, e se algum dia você ler esses posts saberá pra quem eles são dedicados!

Eu não quero que você saiba e eu quero que você saiba, eu tenho duas realidades e não quero arriscar nada, mas eu amo você

queria poder te dizer. Mas acho que como sempre vou deixar passar o momento


sabe, é uma merda!

é isso que eu sempre quero dizer quando você me pergunta o que eu tenho... mas acho que nunca vou dizer!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Querido doce amigo

I'll remember you
When the wind blows through the piney wood.
It was you who came right through,
It was you who understood.
Though I'd never say
That I done it the way
That you'd have liked me to.
In the end,
My dear sweet friend,
I'll remember you

Bob Dylan


meu bom Deus, como estou sensível e carente hoje!

domingo, 18 de outubro de 2009

O dia dos milagres

Theodoro estava sentado na janela fumando. Jean estava deitada na cama assistindo televisão.O sol finamente se punha e a noite prometia ser muito fria, Theodoro que apenas vestia uma calça jeans estava começando a sentir frio. Como se adivinhasse seus pensamentos Jean surgiu e o embrulhou em um lençol em seguida o abraçou bem forte e disse:

__Você vai ficar doente se continuar aí!

Theodoro sorriu e a beijou. Era bom ter alguém cuidando dele.

Ele beijou todo seu pescoço e em seguida passou para os ombros onde dava pequenas mordidinhas. Jean dava algumas risadas e por sua vez também mordiscava o lóbulo de sua orelha.

__Hmm sua pele é tão boa!__sussurrava Theodoro.

Jean que acariciava seus cabelos desorganizados, disse:

__A sua também!

Theodoro lhe deu um bom beijo na boca e em seguida deu uma tragada em seu cigarro. Jean fez uma careta:

__Você já fumou uns três cigarros desde que saiu da cama!

Ele lhe mordiscou o queixo e em seguida perguntou:

__Você tem ciúmes dos meus cigarros?

Sem esperar uma resposta Theodoro afundou o cigarro no cinzeiro:

__Pronto, pequena...

Jean revirou os olhos e lhe beijou na bochecha:

__Não tenho ciúmes, mas você não devia fumar tanto!Faz mal!

Sim, era realmente muito bom ter alguém cuidando e se preocupando com ele:

__Ok, ok!

Eles sorriram um para o outro, ambos estavam encantados com toda aquela situação na qual estavam envolvidos

__Eu vou tentar parar de fumar se isso lhe faz feliz!

__Sim, me faz muito feliz!

Beijaram-se.



Depois de tomar um banho Jean foi embora, pois já estava ficando tarde e as ruas não eram exatamente seguras para garotas andarem sozinhas à noite.
O dia tinha se acabado, o dia cheio de milagres, o dia mais bonito da vida de Jean.
Enquanto atravessava as ruas, Jean podia ouvir o som de uma gaita sendo tocada e ela tinha quase certeza que era uma música do Bob Dylan. Uma música feliz que combinava perfeitamente com seu estado de espírito... A vontade de Jean era voltar para o apartamento de Theodoro e fazer amor com ele novamente. Ela queria viver na sua casa, respirar o mesmo ar que ele durante toda a sua vida. Queria viver de amor, queria carregar filhos dele em seu ventre, queria rir tanto! TANTO!

Assim que chegou em casa viu seu pai deitado no sofá roncando. Latas de cerveja jogadas para todo o lado, a casa sombria como sempre e as paredes pálidas manchadas de desgosto e tristeza.
Ela não ia se deixar abater, nada poderia tirar aquela felicidade dela naquele momento.A pequena Jean subiu as escadas de dois em dois degraus e assim que chegou ao seu quarto se olhou ao espelho

O que era aquele brilho febril em seus olhos?

Jean sorriu e após trancar a porta e abrir as janelas começou a dançar sozinha, os passos completamente inventados de sua cabeça. Fingiu que estava em uma festa, fingiu que o espelho era Theodoro, fingiu que só existia felicidade.

As vezes é fácil ser feliz.

Uma pena que felicidade não dura para sempre.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O milagre de ter amigos


Muitas pessoas falam sobre amizade sem nunca sentir o que ela significa.


Para mim, ter um amigo é ser quem você realmente é, sem ter vergonha de si mesmo. É saber que seus amigos sabem de todos os seus defeitos e não tentar escondê-los (os defeitos) por medo de rejeição.

É sentir aquela necessidade súbita de abraçar essas pessoas queridas e nunca mais deixá-las ir embora. É falar besteiras, fingir vulgaridade, falar palavrão, fazer comentários maldosos e cair na risada.


É andar até criar bolhas nos pés e escutar seus amigos te chamando de 'fresca' ou 'reclamona'. É ficar com medo de se perder e depositar toda sua confiança em seus amigos e agradecer sempre por não estar sozinho.

É ver ele pegando um ónibus e ir embora e apenas acenar com a mão.


É rir

É chorar.


É descobrir um montão de cores em lugares cinzas e frios. É gostar de dentes tortos e de sardas. é sentir um perfume e se sentir protegido.


É amar sem medo de ser correspondido. É criar uma família alternativa. É ser feliz. É ser triste. É viver.É até mesmo colocar uma foto em que você está ridícula em um post no blog unicamente para tentar definir o que é amizade
viva la vida
viva seus amigos!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Jean&Theodoro

Ele estava naquela biblioteca. Jean já havia o visto.

Ela havia ido a biblioteca buscando por paz que nos fins de semana ela não encontrava em casa e olha quem estava lá. Theodoro.
Ele parecia estar se escondendo dela e ela estava quase indo embora...Mas vê-lo era tão bom, que ela se permitiu permanecer e por vezes o admirar sem que ele percebesse.
É obvio que Theodoro percebeu. É obvio que ele havia a seguido, só Jean não notava que todos os dias durante o resto da semana ele havia ido até a escola dela nas saídas só para se certificar que ela estava bem.
Nos fins de semana Jean sempre ia a biblioteca para se livrar da presença do pai e Theodoro sabia disso também, aquela era a oportunidade perfeita para falar com ela.
Jean passava os dedos sobre a capa de um exemplar de Hamlet enquanto seu corpo estava todo em alerta pela presença de Theodoro.
Ele se aproximou.
__Que coincidência te ver aqui pequena Jean, por acaso está me seguindo?
Jean o olhou e sentiu aquele aperto no peito por estar tão perto daquele homem. Aquele lindo homem.
Ela não respondeu e Theodoro sorriu:
__Vejo que está agindo da maneira mais adulta possível, como sempre. Fingindo que eu não existo...
Jean deu as costas para ele, ela não queria ouvir sua voz, ela não queria sentir aquela necessidade de falar para ele o que sentia e o xingar de todos os nomes mais nojentos que existiam, ela queria ser serena e estável.
Percebeu que ele continuou a seguindo e resolveu que o passeio a biblioteca naquele dia tinha sido um desastre. Decidiu ir embora.
Ela andava pelas calçadas sujas e notou que ele continuava a seu lado com as mãos no bolso e um sorriso no rosto.

Cretino. Cretino. Cretino

Jean soube então que não se livraria dele apenas com poucas explicações, seria preciso mostrar a ele o motivo de não o querer.
Ela parou de andar e se virou para olhá-lo de frente. Ele fez o mesmo.
__Eu não quero mais te ver Theodoro... Por favor, entenda isso.
Theodoro estava absolutamente horrorizado, os olhos de Jean estavam cheios de lagrimas.
__Me dê um bom motivo, eu não sei o que te fiz para você se sentir assim!
Jean sentia as lagrimas se derramando pelo seu rosto e era tão vergonhoso chorar na frente de alguém que ela se sentiu subitamente humilhada e patética.
Jean olhou para os pés. Theodoro continuou olhando para ela:
__De que maneira eu te magoei, Jean?
Era um sofrimento e uma confusão vê-la tão abalada daquele jeito. O que ele havia feito?
__Nós somos amigos, não somos? Temos tantas coisas em comum...
Era ridículo ele falar de amizade. Sentir aquilo por ele e depois o ouvir dizer que era só amizade.

Era cruel.

Theodoro não sabia muito bem o que fazer vendo Jean chorando. Ele tentou a abraçar, mas ela o rechaçou. Theodoro não se deixou abalar e apesar dos empurrões de Jean ele a abraçou forte.
__Não Jean... Não me afaste de você!
O cheiro de Theodoro. Aquela mistura deliciosa de perfume e tabaco. Era até mesmo peculiar que Jean se sentisse tão protegida ao sentir aquele cheiro.
Eles ficaram abraçados naquele dia tão frio e cinza. Era uma cena incomum e doce. Amigos ou amantes ficava muito claro que um estava ali pelo outro.
__Você quer ir para o meu apartamento?
__Eu quero muito ficar com você!
Jean não soube se disse aquela frase ou se simplesmente pensou aquilo. Ela o olhou e notou que Theodoro olhava fixamente em seus olhos:
__Então, fique comigo!
Com algumas lágrimas ainda pelo rosto Jean disse:
__Você precisa saber que...
Um nó na garganta dela fez sua voz sumir, Theodoro acariciou seu rosto e lhe beijou suavemente a testa. Então ele segurou sua mão e foi a puxando pelas ruas.
Ao fundo as luzes da cidade e sua música característica. Dentro de Theodoro e de Jean o único som eram as batidas frenéticas de seus corações!
Corriam pela cidade de mãos dadas e sorriam um para o outro, a cidade tão cinza de repente se tornou um arco-íres.
O vermelho dos faróis dos carros, o azul das placas das ruas, o verde do parque em que haviam se conhecido e o azul dos olhos de Jean.
Eles chegaram no apartamento de Theodoro.
Com o coração na boca Jean esperou ele trancar a porta e olhou bem no fundo dos olhos dele quando ele a encarou.
Jean não podia dizer aquilo que estava em sua garganta com aquela distancia entre eles. Ela se sentiria vazia.
Ela deu os cinco passos que a separavam dele e lhe tocou o rosto levemente.

Ela tinha de dizer, tinha de dizer, tinha de dizer...



Diga Jean, Diga a ele Jean... Diga as três palavras... Agora, pequena Jean! AGORA!!!



__Eu te amo.
Theodoro a encarou
__Ama?
Jean anuiu e fechou os olhos esperando pelos lábios de Theodoro. Ela ama tanto que seu coração chega a doer quando seus lábios finalmente se juntam.
Eram duas bocas, línguas e saliva. Eram peles nuas se tocando e sensações acontecendo. Uma cama e finalmente dois amantes se tornando um, roupas espalhadas por todos os lados, sons do fundo da garganta de cada um, pés que se enroscam, olhos que se admiram e bocas que se beijam. Sussurros estremecidos e corpos que se fundem. Movimentos que se repetem e mãos que tocam.

Lindo e doce.

Jean respirou fundo enquanto Theodoro deslizava de seu corpo e se deitava ao seu lado da cama .
Jean olhou para ele e eles ficaram se olhando por um bom tempo sem dizerem nada. Então, como quando se conheceram eles caíram em gargalhadas que até poderiam ser consideradas pouco românticas após um momento de amor, mas para eles foi o mais natural do mundo.
Disputaram o lençol para se cobrir e entre risadas acabaram fazendo amor novamente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Misterioso Theodoro

Theodoro acendeu um cigarro enquanto olhava a cidade da janela de seu quarto.Ele estava se sentindo triste e sozinho. Querendo ou não Jean havia alegrado seus dias e agora...

Agora ele parecia não possuir mais nada.

Ele ia sempre olhar para uma garrafa de rum e para um dia chuvoso e lembrar-se de uma garota esquisita e linda que ele jamais poderia ter.
Ele queria ajudá-la, protegê-la ou simplesmente tê-la ao seu lado
__Pequena, minha pequena Jean.
Sua Jean não queria nunca mais o ver e isso o lembrava músicas tristes da época de sua adolescência.
Sentiu-se sendo abraçado e olhou para Alice,sua amiga que lhe esquentava a cama nas noites frias o livrando da carência de ser tão sozinho.
Alice sabia de toda a sua historia e nunca o havia recriminado, talvez ela o amasse e ele precisava sempre dela como seu ombro amigo.

Não havia cobranças, só havia amizade.

__Ainda pensando na sua garotinha?
Theodoro a beijou gentilmente nos lábios.
__Desculpe, doçura... Não consigo tirá-la da minha cabeça. Ela realmente me dispensou e eu nem sei o que fiz de errado.
Alice riu dele e disse:
__Você está apaixonado por ela.
Theodoro sentiu um aperto no peito e respirou bem fundo... Ele sabia que não deveria gostar de Jean de um jeito apaixonado...

Ele não podia.

__Talvez. Mas vou sufocar isso... Você sabe Alice, eu não posso.
Alice pegou o cigarro da mão dele e deu uma tragada:
__Claro que pode, não há nada te impedindo, há?Você é solteiro, ela também.
Theodoro revirou os olhos.
__Não é assim, Alice. Você sabe disso.
__O que eu sei é que você é um homem maravilhoso e que cometeu grandes erros quando era muito jovem. Sua Jean precisa de você.
__Eu sei que precisa de mim, mas eu só posso ser amigo dela, entende? Ela nunca me entenderia se eu lhe contasse...
__Então não conte!
Theodoro a olhou. Alice fazia tudo parecer fácil demais.
__Uma hora a verdade vai surgir e ela vai me odiar.
__Você não pode decidir tudo por ela, Theodoro. Deixe-a decidir se te odiará. Você a quer, a pegue e a faça feliz. Em algum momento surgirá à oportunidade de lhe contar a verdade.
Theodoro queria não sentir aquela culpa massacrando seus órgãos e pelo ponto de vista de Alice ele parecia completamente absolvido, o que era confortável.
__Talvez você tenha razão Alice. Mas ela nem quer me ver... Ela disse claramente as palavras “nunca mais”
__Às vezes ela está confusa... Não sei, corra atrás dela e peça desculpas, mesmo que você não saiba do que se trata.
Theodoro sorriu e lhe beijou novamente:
__Então, nós não poderemos mais ficar juntos... Serei fiel a minha Jean.
__Entendo e sofro com isso, você é um ótimo amante.
Theodoro riu dela e depois lhe deu um beijo carinhoso na testa.
__Você acha que conseguirei tê-la para mim?As vezes penso que ela nunca poderá ser minha...
__Você sabe que isso não é verdade, quem em sã consciência não amaria você?
Theodoro deu de ombros, ele não se importava com o que o resto do mundo pensava dele, não se importava se o resto do mundo caísse de amores por ele. Só Jean importava e às vezes ele sentia que ela estava sempre tão distante que ele nunca poderia alcançá-la.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

She was made for him

Em um dia de verão em que a nossa Mary Werbelow tomava sol na praia, o Universo resolveu conspirar a seu favor.
Um rapaz apareceu.Era um broto de cabelos desgrenhados andando pela areia e com olhos humorados. Sua voz arrastada lhe passou a primeira cantada de toda sua vida
"Olha que pernas lindas"
A partir daquele momento e depois de algumas troca de olhares ela percebeu que estava presa a ele.
O que fazer?

Estavam nos anos sessenta, eram jovens e bonitos, passaram o verão todo juntos, e viveram a glória do primeiro amor naquelas tardes quentes e noites inesqueciveis.
Quando Jim ia embora, ela sofria como se o seu coração estivesse se partindo, dizer até logo era terrível.

Ele era um poeta recém formado do segundo grau, ela era a sensível e linda garotinha de escola.
Será que daria certo?

Mary fez Jim finalmente se livrar das madeixas desgrenhadas e ele lhe disse "Você irá se casar comigo, querida. Mais cedo ou mais tarde terá de se acostumar com meu cabelo"

Eram feitos um para o outro.

Jim compunha poemas para ela em todos os momentos e eles eram tão cúmplices que já não havia necessidade de usar palavras para mostrar o que pensavam.

Ele andava sempre com um caderninho no bolso quando saia com Mary, a todos os momentos escrevia algo e depois ao telefone sempre recitava para ela o que havia escrito. Era intenso, era amor.

Mas nem tudo é um conto de fadas

Os pais de Mary eram contra o relacionamento e ao fim do verão eles mal podiam se ver. Jim escrevia cartas para ela todo o tempo e ligava para ela de telefones públicos quase todos os dias a fim de saber como ela estava. No começo Mary achava que ele estava a protegendo, mas depois percebeu que ele era inseguro e ligava sempre para saber se o amor dela continuava o mesmo.

Jim foi para a Universidade da Califórnia estudar cinema e Mary brigou com os pais para acompanhá-lo.
Eles viviam em alojamentos diferentes e para Mary era a melhor opção já que ela guardava sua virgindade para depois do casamento.

Ficaram juntos por aproximadamente três anos.

Mary começou a dançar em go-go bar e Jim montou uma banda com alguns colegas de faculdade. Todos conheciam Jim e Mary como "almas gemeas" onde um estivesse o outro também estaria.

Mary era uma linda garota e como dançarina chamava muito a atenção. Jim morria de ciumes e pensava que já que sua banda estava dando certo, Mary deveria deixar de ser dançarina e casar com ele.

Mary odiava o ciumes de Jim e não aceitou a proposta.

Jim dizia a ela que se sentia humilhado quando via todos aqueles homens a cobiçando e em um ato de completa raiva ele queimou todos os cadernos de poemas que havia feito para ela.

Eles brigaram e ele ainda muito nervoso a traiu com outra. Era o ínicio do fim.

Mary o amava. Jim a amava, mas o que eles podiam fazer? Eram tantos erros que o relacionamento deles estava afundando.

A banda de Jim realmente estava fazendo sucesso, o nome dela era"The Doors". Após o termino do relacionamento com Mary todos seus poemas para ela se transformaram em letra de suas músicas. Uma delas era a "The End" falando do termino do namoro

"This the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end

I'll never look into your eyes...again"


Jim nunca desistiu de Mary, a todo o tempo ele insistia para que ela ouvisse seus albuns dizendo que havia se inspirado nela, mas ela nunca teve coragem de ouvir. A essa altura o seu Jim que havia cortado o cabelo em um dia de verão já havia se transformado no deus "Jim Morrison" o Rei Lagarto,já estava se drogando e era um mulherengo de primeira...E ela sempre soube que não havia volta.

Ele pedia para casar com ela todas as vezes que a via, ela nunca pode aceitar, mesmo querendo.Ele sempre perguntava se ela havia mudado de ideia e ela sempre continuava dizendo que não se casaria com ele.

Mary finalmente foi embora dos Estados Unidos, foi passar uma temporada na India, mas o seu coração ficou com Jim.
Eles nunca mais se viram.

Jim em um dos shows completamente drogado falava de Mary o tempo todo.Lamentando o fato dela estar na India.

Em 1971, aos 27 anos, Jim Morrison morreu em Paris. As causas até hoje ninguem sabe. Sua 'mulher' Pamela Courson estava tão drogada que não soube como explicar o que havia acontecido com ele.

Mary passou por tempos depressivos em que só de ouvir o nome de Jim já a fazia chorar. Tentou construir uma vida, casou-se, divorciou-se, casou-se novamente e divorciou-se novamente. Nunca teve filhos e só contou sua historia com Jim uma vez para um jornalista. Ela não queria que distorcessem o seu Jim como fizeram no filme "The Doors".

Mary nunca tentou substituir Jim, pois sempre soube que era o homem de sua vida.



*Ouvindo She&Him, e tentando descrever o encontro de Jim Morrison com sua primeira namorada a doce Mary Werbelow*

terça-feira, 6 de outubro de 2009

o belo dia e os belos apaixonados

O dia estava terminantemente bonito demais. O céu estava de uma cor tão azul que parecia uma pintura.
Ela usava aquele uniforme azul marinho e seus pés ainda doíam da caminhada que ela havia feito três dias antes.
Caminhar até sua casa seria um sacrifício, mas sua bicicleta havia quebrado, era o único jeito. Jean se conformou ao pensar que voltar da escola sempre era menos penoso do que ir para a escola.

A casa seria só dela durante seis maravilhosas horas.

Deu um sorrisinho e continuou andando. Foi quando um movimento ao seu lado lhe chamou a atenção e ela olhou para ver o que era.

Era alguém.

Theodoro estava a seguindo de bicicleta andando encostado da calçada em que ela estava. Ele parecia muito bem e saudável, o contrario dela que não comia nada decente por três dias.
E aquele nariz grande dele nunca lhe pareceu mais charmoso do que naquele momento, e aquele meio sorriso dele também parecia mais irresistível que o natural.

__Saudações, pequena Jean. Ou devo te chamar de ‘sumida Jean’?

Jean sentiu o peito apertando em pleno desespero. Só quem já sofreu por amor, ou já viu o seu amor nos braços de outra pessoa sabe como ela se sentia ao olhar para ele.
Era como se ele estivesse impuro, como se tivesse se contaminado com algo sujo. Ela olhava para ele e o via agarrando e devorando outra mulher. E talvez isso pareça uma contradição já que ela sempre o achava lindo, mas... Era como se ele fosse irresistível e tivesse algum tipo de doença contagiosa. Algo nojento.

Mas o coração dela não sentia nojo.

__Oi Theodoro!

Theodoro estranhou a aparência dela e sua voz

__Oi Jean.

Então o silencio se fez presente e aquele desconforto se tornou insuportável.Jean apenas andava e olhava para frente.Nunca olhava para ele. Ela tinha noção que ele a encarava se perguntando o que havia de errado, mas ela simplesmente não tinha paciência nem coragem para explicar.
Theodoro era orgulhoso demais para ser o primeiro a se render a guerra do silencio. Conseqüentemente, eles não falaram um com o outro durante todo o caminho que Jean percorria até chegar a sua casa.

As mãos da pequena Jean suavam e em seus olhos era possível notar a angustia calada. Ela respirou fundo algumas vezes até perceber que não adiantava de nada e desistiu das respirações.
Ela chegou até sua rua e já procurou pela chave. Sem olhar nenhuma vez para ele abriu seu portão e antes que pudesse entrar ele segurava seu braço gentilmente, mas deixando claro que não a deixaria partir.
Ele apenas olhou nos olhos dela sem dizer nenhuma palavra.
Jean sabia que ele estava a quebrando por dentro. Novamente.
__Eu vou entrar.

__Vai?

__Sim, vou.

__Eu vim do outro lado da cidade unicamente para te ver saindo da escola, já que você simplesmente sumiu desde aquele dia da bebedeira de rum no meu apartamento, e você só me fala que vai entrar. Que merda está acontecendo Jean?

Jean sabia que ele estava a provocando. Ela tinha tentado ligar para ele milhões de vezes desde a bebedeira de rum no apartamento dele. Ele simplesmente não atendia e não retornava os telefonemas.
E por esse motivo que ela movida por um pensamento idiota de que se lhe confessasse seu amor ele voltaria a ser o que era antes, ela foi a seu apartamento e o viu com outra.
Jean apenas olhava para ele, sem lhe responder nada.
Os olhos de Theodoro estavam muito perigosos.

__Você é tão imatura... Mas o que eu esperava? Você tem só dezessete anos.

Theodoro então desviou os olhos dos dela e a soltou. Jean apenas sussurrou:

__Não quero te ver nunca mais.

Theodoro sentiu um nó na garganta e viu Jean entrando em sua casa.

Ele deveria ter retornado as ligações de Jean.

Ele não deveria ter se sentido rejeitado quando ela não falou sobre o beijo

Ele não deveria ter a beijado

Ele não deveria ter se encantado por ela quando a viu tomando chuva sozinha.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O episódio dos feijões

Jean ainda estava deitada em seu tapete, quando ouviu a voz de seu pai a chamando...

Não esteja bêbado, não esteja bêbado, não esteja bêbado...

As paredes de seu quarto pareciam absorver toda a sua preocupação e as cores vivas de repente pareciam zombar de toda aquela situação.
Ele apareceu a porta. Os olhos azuis e os cabelos desalinhados chamando a atenção. Jean soube que ele não estava bêbado, pois estava quieto demais.
__O que foi pai?
__Você fez a comida?
Jean havia se esquecido. Pediu desculpas, se levantou e rapidamente correu para a cozinha preparando algo rápido. Talvez macarrão.
Quase todas as vezes que entrava naquela cozinha escura e melancólica ela se lembrava de que foi ali que ela viu sua mãe pela ultima vez.


Sete anos antes

Era onze e quinze da manhã, era o horário que sua mãe costumava preparar o almoço. Jean estava assistindo desenho no sofá vestindo seus velhos pijamas com girafinhas, seu preferido.
Ela assistia e não falava nada, nem sorria. Só assistia porque era algo fácil de assistir. De repente um movimento na cozinha chamou sua atenção.
Sua mãe que havia ficado muitos minutos escolhendo feijões agora os jogava todos ao chão. O barulho foi irritante e para Jean foi algo tão fora da sua realidade que seu coração quase foi parar na garganta.
Percebera que sua mãe estava louca. E o pior de tudo é que ela estava sentindo medo da própria mãe.
Sua mãe tacou a água que cozinharia o feijão no chão e tacou a panela de pressão na parede com toda força.
O barulho dessa vez foi ensurdecedor.
Ela saiu da cozinha aos tropeços, os soluços rasgando sua garganta e os olhos perdidos. A mãe de Jean saiu de casa sem nem ao menos olhá-la.
Quando seu pai chegou em casa, foi um desespero. Ele pediu sua ajuda para limpar toda a cozinha e depois de limpar bebeu pinga até dormir sentado no sofá.
Até então Jean não havia percebido que sua mãe havia a deixado, só foi perceber muito mais tarde quando uma amiga dela veio buscar suas roupas. Foi quando ouviu o pai gritando com aquela mulher e mandando-a dizer para sua ex-esposa palavras terríveis.
Jean nunca mais viu sua mãe.


Sete anos depois

Jean começou a lavar a louça enquanto observava a panela com macarrão e a panela com molho de tomate.
Às vezes enquanto estava naquela cozinha sentia a mesma vontade louca de tacar as panelas para o alto e fugir.
O macarrão ficou pronto. Seu pai foi até a cozinha e ela serviu a comida em seu prato.
__Você saiu essa noite?
Jean não olhou para ele enquanto mentia dizendo que não havia saído.
__Você estava chorando por qual motivo Jean?
__Não estava chorando. É minha alergia.
Ele continuava a encarando.
__É por causa daquele idiota que eu te vi conversando aquele dia?

Sim.

__Já disse que não estava chorando.
__Você abriu as pernas para aquele miserável Jean?
Qualquer garota se sentiria horrorizada com aquela frase, menos Jean. Seu pai falava coisas desse tipo o tempo todo.
__Não.
__ Espero que você perceba que esse cara é daquele tipo de cara que gosta de comer garotinhas para se sentir jovem.
Foi mais ou menos como uma ferroada muito incomoda no coração, Jean percebeu. Apesar de ser nojento o modo com que o pai falava no fundo talvez ele estivesse com a razão.
__Pode ser, eu não ligo!
O pai dela deu de ombros
__Já jantou?
__Não estou com fome hoje.

Ela então saiu da cozinha e subiu as escadas até seu quarto se sentindo exausta. Sentindo aquela necessidade maravilhosa de esvaziar a mente e ficar anestesiada por umas boas nove horas de sono.

sábado, 3 de outubro de 2009