terça-feira, 6 de outubro de 2009

o belo dia e os belos apaixonados

O dia estava terminantemente bonito demais. O céu estava de uma cor tão azul que parecia uma pintura.
Ela usava aquele uniforme azul marinho e seus pés ainda doíam da caminhada que ela havia feito três dias antes.
Caminhar até sua casa seria um sacrifício, mas sua bicicleta havia quebrado, era o único jeito. Jean se conformou ao pensar que voltar da escola sempre era menos penoso do que ir para a escola.

A casa seria só dela durante seis maravilhosas horas.

Deu um sorrisinho e continuou andando. Foi quando um movimento ao seu lado lhe chamou a atenção e ela olhou para ver o que era.

Era alguém.

Theodoro estava a seguindo de bicicleta andando encostado da calçada em que ela estava. Ele parecia muito bem e saudável, o contrario dela que não comia nada decente por três dias.
E aquele nariz grande dele nunca lhe pareceu mais charmoso do que naquele momento, e aquele meio sorriso dele também parecia mais irresistível que o natural.

__Saudações, pequena Jean. Ou devo te chamar de ‘sumida Jean’?

Jean sentiu o peito apertando em pleno desespero. Só quem já sofreu por amor, ou já viu o seu amor nos braços de outra pessoa sabe como ela se sentia ao olhar para ele.
Era como se ele estivesse impuro, como se tivesse se contaminado com algo sujo. Ela olhava para ele e o via agarrando e devorando outra mulher. E talvez isso pareça uma contradição já que ela sempre o achava lindo, mas... Era como se ele fosse irresistível e tivesse algum tipo de doença contagiosa. Algo nojento.

Mas o coração dela não sentia nojo.

__Oi Theodoro!

Theodoro estranhou a aparência dela e sua voz

__Oi Jean.

Então o silencio se fez presente e aquele desconforto se tornou insuportável.Jean apenas andava e olhava para frente.Nunca olhava para ele. Ela tinha noção que ele a encarava se perguntando o que havia de errado, mas ela simplesmente não tinha paciência nem coragem para explicar.
Theodoro era orgulhoso demais para ser o primeiro a se render a guerra do silencio. Conseqüentemente, eles não falaram um com o outro durante todo o caminho que Jean percorria até chegar a sua casa.

As mãos da pequena Jean suavam e em seus olhos era possível notar a angustia calada. Ela respirou fundo algumas vezes até perceber que não adiantava de nada e desistiu das respirações.
Ela chegou até sua rua e já procurou pela chave. Sem olhar nenhuma vez para ele abriu seu portão e antes que pudesse entrar ele segurava seu braço gentilmente, mas deixando claro que não a deixaria partir.
Ele apenas olhou nos olhos dela sem dizer nenhuma palavra.
Jean sabia que ele estava a quebrando por dentro. Novamente.
__Eu vou entrar.

__Vai?

__Sim, vou.

__Eu vim do outro lado da cidade unicamente para te ver saindo da escola, já que você simplesmente sumiu desde aquele dia da bebedeira de rum no meu apartamento, e você só me fala que vai entrar. Que merda está acontecendo Jean?

Jean sabia que ele estava a provocando. Ela tinha tentado ligar para ele milhões de vezes desde a bebedeira de rum no apartamento dele. Ele simplesmente não atendia e não retornava os telefonemas.
E por esse motivo que ela movida por um pensamento idiota de que se lhe confessasse seu amor ele voltaria a ser o que era antes, ela foi a seu apartamento e o viu com outra.
Jean apenas olhava para ele, sem lhe responder nada.
Os olhos de Theodoro estavam muito perigosos.

__Você é tão imatura... Mas o que eu esperava? Você tem só dezessete anos.

Theodoro então desviou os olhos dos dela e a soltou. Jean apenas sussurrou:

__Não quero te ver nunca mais.

Theodoro sentiu um nó na garganta e viu Jean entrando em sua casa.

Ele deveria ter retornado as ligações de Jean.

Ele não deveria ter se sentido rejeitado quando ela não falou sobre o beijo

Ele não deveria ter a beijado

Ele não deveria ter se encantado por ela quando a viu tomando chuva sozinha.

Um comentário:

priiiv disse...

nada a declarar, só continua por favor.