Ele estava naquela biblioteca. Jean já havia o visto.
Ela havia ido a biblioteca buscando por paz que nos fins de semana ela não encontrava em casa e olha quem estava lá. Theodoro.
Ele parecia estar se escondendo dela e ela estava quase indo embora...Mas vê-lo era tão bom, que ela se permitiu permanecer e por vezes o admirar sem que ele percebesse.
É obvio que Theodoro percebeu. É obvio que ele havia a seguido, só Jean não notava que todos os dias durante o resto da semana ele havia ido até a escola dela nas saídas só para se certificar que ela estava bem.
Nos fins de semana Jean sempre ia a biblioteca para se livrar da presença do pai e Theodoro sabia disso também, aquela era a oportunidade perfeita para falar com ela.
Jean passava os dedos sobre a capa de um exemplar de Hamlet enquanto seu corpo estava todo em alerta pela presença de Theodoro.
Ele se aproximou.
__Que coincidência te ver aqui pequena Jean, por acaso está me seguindo?
Jean o olhou e sentiu aquele aperto no peito por estar tão perto daquele homem. Aquele lindo homem.
Ela não respondeu e Theodoro sorriu:
__Vejo que está agindo da maneira mais adulta possível, como sempre. Fingindo que eu não existo...
Jean deu as costas para ele, ela não queria ouvir sua voz, ela não queria sentir aquela necessidade de falar para ele o que sentia e o xingar de todos os nomes mais nojentos que existiam, ela queria ser serena e estável.
Percebeu que ele continuou a seguindo e resolveu que o passeio a biblioteca naquele dia tinha sido um desastre. Decidiu ir embora.
Ela andava pelas calçadas sujas e notou que ele continuava a seu lado com as mãos no bolso e um sorriso no rosto.
Cretino. Cretino. Cretino
Jean soube então que não se livraria dele apenas com poucas explicações, seria preciso mostrar a ele o motivo de não o querer.
Ela parou de andar e se virou para olhá-lo de frente. Ele fez o mesmo.
__Eu não quero mais te ver Theodoro... Por favor, entenda isso.
Theodoro estava absolutamente horrorizado, os olhos de Jean estavam cheios de lagrimas.
__Me dê um bom motivo, eu não sei o que te fiz para você se sentir assim!
Jean sentia as lagrimas se derramando pelo seu rosto e era tão vergonhoso chorar na frente de alguém que ela se sentiu subitamente humilhada e patética.
Jean olhou para os pés. Theodoro continuou olhando para ela:
__De que maneira eu te magoei, Jean?
Era um sofrimento e uma confusão vê-la tão abalada daquele jeito. O que ele havia feito?
__Nós somos amigos, não somos? Temos tantas coisas em comum...
Era ridículo ele falar de amizade. Sentir aquilo por ele e depois o ouvir dizer que era só amizade.
Era cruel.
Theodoro não sabia muito bem o que fazer vendo Jean chorando. Ele tentou a abraçar, mas ela o rechaçou. Theodoro não se deixou abalar e apesar dos empurrões de Jean ele a abraçou forte.
__Não Jean... Não me afaste de você!
O cheiro de Theodoro. Aquela mistura deliciosa de perfume e tabaco. Era até mesmo peculiar que Jean se sentisse tão protegida ao sentir aquele cheiro.
Eles ficaram abraçados naquele dia tão frio e cinza. Era uma cena incomum e doce. Amigos ou amantes ficava muito claro que um estava ali pelo outro.
__Você quer ir para o meu apartamento?
__Eu quero muito ficar com você!
Jean não soube se disse aquela frase ou se simplesmente pensou aquilo. Ela o olhou e notou que Theodoro olhava fixamente em seus olhos:
__Então, fique comigo!
Com algumas lágrimas ainda pelo rosto Jean disse:
__Você precisa saber que...
Um nó na garganta dela fez sua voz sumir, Theodoro acariciou seu rosto e lhe beijou suavemente a testa. Então ele segurou sua mão e foi a puxando pelas ruas.
Ao fundo as luzes da cidade e sua música característica. Dentro de Theodoro e de Jean o único som eram as batidas frenéticas de seus corações!
Corriam pela cidade de mãos dadas e sorriam um para o outro, a cidade tão cinza de repente se tornou um arco-íres.
O vermelho dos faróis dos carros, o azul das placas das ruas, o verde do parque em que haviam se conhecido e o azul dos olhos de Jean.
Eles chegaram no apartamento de Theodoro.
Com o coração na boca Jean esperou ele trancar a porta e olhou bem no fundo dos olhos dele quando ele a encarou.
Jean não podia dizer aquilo que estava em sua garganta com aquela distancia entre eles. Ela se sentiria vazia.
Ela deu os cinco passos que a separavam dele e lhe tocou o rosto levemente.
Ela tinha de dizer, tinha de dizer, tinha de dizer...
Diga Jean, Diga a ele Jean... Diga as três palavras... Agora, pequena Jean! AGORA!!!
__Eu te amo.
Theodoro a encarou
__Ama?
Jean anuiu e fechou os olhos esperando pelos lábios de Theodoro. Ela ama tanto que seu coração chega a doer quando seus lábios finalmente se juntam.
Eram duas bocas, línguas e saliva. Eram peles nuas se tocando e sensações acontecendo. Uma cama e finalmente dois amantes se tornando um, roupas espalhadas por todos os lados, sons do fundo da garganta de cada um, pés que se enroscam, olhos que se admiram e bocas que se beijam. Sussurros estremecidos e corpos que se fundem. Movimentos que se repetem e mãos que tocam.
Lindo e doce.
Jean respirou fundo enquanto Theodoro deslizava de seu corpo e se deitava ao seu lado da cama .
Jean olhou para ele e eles ficaram se olhando por um bom tempo sem dizerem nada. Então, como quando se conheceram eles caíram em gargalhadas que até poderiam ser consideradas pouco românticas após um momento de amor, mas para eles foi o mais natural do mundo.
Disputaram o lençol para se cobrir e entre risadas acabaram fazendo amor novamente.
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