A pequena Jean colocou o
cd que
Theodoro havia feito para ela no seu radio e se encolheu ao som de Carla
Bruni.
Lágrimas as vezes parecem tão pesadas enquanto estão nos olhos...Uma gota, duas gotas, três gotas...
Descalça a dor nos pés diminuía muito! Suas unhas dos pés estavam pintadas de verde escuro cintilante e o das mãos estava pintado de azul escuro.
Seu quarto tinha uma parede amarela e as outras paredes eram cor de
abóbora... Seu tapete tinha desenhos infantis e em seu espelho ela gostava de grudar algumas fotos. Dois meses antes ela tinha feito um desenho de
Theodoro e ele estava ao lado de uma foto sua, ambas grudadas no espelho.
Jean se encolheu mais e chorou mais um pouquinho.
Três meses antesJean estava sentada na frente de seu apartamento esperando ele sair. Eles haviam combinado que naquele sábado iriam andar de bicicleta pela cidade, mas havia acontecido algum acidente com
Theodoro e ele mal podia andar.
Com muletas ele apareceu a seu lado e lhe deu um beijinho na bochecha.
__Nossos planos falharam, pequena Jean!
Jean deu um
sorrisinho para ele e lhe perguntou de seu pé que estava engessado. Um pouco desajeitado ele se sentou ao seu lado e contou algumas
bobagens a ela.
Os ombros deles se tocavam e quando os olhares se encontravam aparecia uma sensação esquisita no
estômago de ambos.
__Nós poderíamos tentar dançar,
Theodoro! Aposto que você é um
ótimo pé de valsa.
Theodoro lhe
cutucou amigavelmente a costela e lhe chamou de “
engraçadinha”
__Quer entrar?
Jean suspirou:
__Posso?
__Claro que sim, mas dê uma mão para seu amigo quase
paralitico, por favor.
Ela o ajudou a entrar no elevador e sair do elevador. Ele abriu a porta do apartamento e fez um gesto galante para ela entrar primeiro.
Era obviamente um apartamento de homem. Um quarto pequeno, uma cozinha pequena, muita louça para lavar e um banheiro.
No quarto havia uma janela bem grande que entrava a luz do Sol e dava uma aparência sadia para todo o apartamento. Um violão no chão, meio jogado. Um guarda roupa e uma cama grande de casal.
__Fica a vontade, por favor... Posso te oferecer alguma coisa?
Jean agradeceu dizendo que não e ele pareceu meio desapontado.
E lindo.
__Tenho uma garrafa de rum, quer?
Jean anuiu e ele sorriu, ela se sentou na beirada de sua cama e ele a chamou na cozinha para ajudá-lo com os copos.
Sentaram-se na cama.
Theodoro com a garrafa nas mãos preenchendo os copos assim que eles ficavam vazios.
Rum era doce... Nos lábios dele deveria ser ainda mais doce.
Sem se dar conta ambos já estavam deitados e bêbados, um ao lado do outro.
Theodoro começou a fumar e Jean reclamou, pois odiava o cheiro do cigarro. Ele apenas sorriu para ela, a achando
hilária.
Jean descansou a cabeça no ombro dele enquanto
Theodoro fumava e bebia.
__Se seu pai descobrir que você esta assim comigo ele me dá um tiro.__disse ele
Jean deu de ombros e se aconchegou mais ainda em seu ombro:
__Aquele bêbado maldito!
Theodoro riu de seus termos pouco elogiosos e ela lhe deu um beijinho no rosto.
__Você também está bêbada, minha pequena.
Jean sorriu. Não estava bêbada...Não muito.
__Mas eu não bato em ninguém quando estou bêbada.
Theodoro ficou um pouco tenso:
__Ele bate em você?
__Às vezes.
O mais
impressionante na confissão de Jean não era o fato de apanhar de seu pai ‘as vezes’. O mais
impressionante era a inflexibilidade de sua voz ao contar tal fato. Com tanta naturalidade como se falasse do tempo.
Foi a vez de
Theodoro praguejar:
__Maldito.
Jean completamente embriagada colocou o indicador sobre os lábios dele e fez um “
shhhhh”.
Theodoro deu um beijinho em seu dedo.
Jean sentiu o coração na garganta
__Seu pai não deveria bater em você.__A voz dele estava arrastada, ele também não estava completamente são.
__Eu não me importo mais.
__Eu me importo
Jeeeean.
Jean se levantou e sentiu sua cabeça rodando
__
Uou.
Ela caiu deitada na cama novamente e ambos caíram na risada. Beberam até a garrafa ficar vazia.
__Meu Deus, estou vendo tudo rodar__explicou Jean
Theodoro a abraçou muito forte e falou qualquer coisa que ela não conseguiu entender. Logo em seguida ele puxou seu rosto para cima e lhe beijou a ponta do nariz. Com sua voz embriagada disse:
__Você é tão bonita, tão bonita, que me parece um doce.
Jean bêbada balançou a cabeça e disse:
__Não, você que é lindo. Você é o homem mais lindo que já vi!
Jean então foi lhe dar um beijinho carinhoso na ponta do nariz, mas como ambos estavam bêbados e com vertigens, o beijo foi na boca.
E ela realmente comprovou que o rum nos lábios dele era ainda mais doce.
Uma pena que em seguida ambos dormiram, mais pena ainda foi o fato de que quando Jean acordou, as onze horas da noite, ela não se lembrava de quase nada, incluindo o beijo.
Theodoro fez café forte para ambos e depois Jean foi embora ainda com a cabeça tonta e os pensamentos atordoados.
Felizmente
Theodoro tinha tanta experiência com bebidas e com bebedeiras que já não se esquecia mais do que fazia enquanto estava bêbado, diferente de Jean.
Sim,
Theodoro não se esqueceu do beijo, mas como Jean não disse nada sobre isso, ele resolveu fingir também que nada tinha acontecido.Interpretando de maneira errada o silencio dela.