.
.
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição”


Acredite-me, você não é a única que não consegue ouvir Rooney, Oasis, Beatles ou o caralho por causa das lembranças. A verdade é que eu não consigo chegar perto dos meus CDs, do seu bairro ou ex bairro ou qualquer coisa desse tipo porque tenho a sensação de que uma faca me dilacera a garganta.
Você pode me odiar, pedir ao papai Noel para me matar ou qualquer coisa assim, mas não aja como se eu fosse a única culpada. NÃO FAÇA ISSO.
Se saí da sua vida foi porque você me expulsou, me magoou e eu não agüentava mais sofrer tanto e me sentir tão mal. Gosto tanto de você que ir embora quase acabou comigo e talvez não tenha entrado em depressão como você (não estou presumindo que você se deprimiu por minha causa, possivelmente eu nunca fui tão especial assim e tal) mas passei noites e noites em pânico. Dias e dias catatônica sem saber o que fazer, sem chorar pra não parecer fraca. Sair de perto de você quase me matou e ver você falando de mim assim quase me mata sempre. SEMPRE, SEMPRE.
Mas dane-se, vou viver com isso, com minha parcela de culpa e com minhas memórias melancólicas e felizes por muito tempo ainda, me esquivando da sua presença pra sempre só pra tentar viver. Só pra tentar viver desse desamor que foi o que sobrou.
Nenhum cara, nenhum nada tem o poder de me ferir tanto quanto você sempre terá. Será que esse é o preço que eu pago por ter te querido tão bem?
Uma carta que eu queria entregar para a mais charmosa de todas as moças. Já não sei mais se eu fui a outra, se ela foi a outra, se eu fui a senhora desse amor ou se ela foi senhora desse amor. Enfim, pelo menos posso agradecer ao bonito pela inspiração, por alguns textos e por esse adeus definitivo.
"Moça, eu sinto exatamente uma parcela de toda a sua dor e me dá desespero imaginar essa dor triplicada.É tão triste conhecer essas pessoas interessantes que amam facilmente e desapegam de maneira mais fácil ainda, e ser alvo tanto do amor quanto do desapego.
Elas alimentam nosso ego, nos enchem de atenção, de músicas bonitas e detalhes importantes e quando a gente já está entregue, bom, elas vão embora sem muitas explicações.
Ou com explicações que não satisfazem nossos questionamentos, nossa lógica. Ficamos perdidas, tontas, sem saber o que fizemos, sem saber se culpamos a nós mesmas ou a essas pessoas.
Acho que no meu caso, moça, eu posso culpar a mim mesma. Sim, eu sabia no que eu estava me metendo quando quis conhecê-lo. Sabia das histórias idiotas dele e mesmo assim quis conhecê-lo.
Não achei que ele fosse fazer exatamente igual ele faz com todas. Encheu-me de atenção por algumas semanas e em seguida partiu. Achei que ele nem se importaria comigo visto que o relacionamento de vocês havia terminado tão cedo, mas me enganei.
Entretanto, se há um ponto ao meu favor nessa passagem obscura de meus dias é que não me deixei levar completamente, meu pezinho sempre ficou atrás e por saber que uma hora isso aconteceria não me permiti receber de bom grado as palavrinhas ‘apaixonadas’ dele, portanto acredito que não me enganei tanto. A dor apenas é uma pontada no meu ego e acredito que diante da sua dor, a minha não significa nada.
O mais difícil pra mim é conhecer agora a nova musa dele, a nova deusa. O problema é puramente feminino, pois nunca a suportei e imaginar que toda a atenção que me era dedicada passou a ser dedicado à ela me enche de ódio. Mas vai passar.
Acredito que para você esse sentimento de ciúme, amargura e nojo já esteja até gasto. Pois as garotas que entram e saem da vida dele são tantas... Será que é sempre um impacto para você? Será que você já se acostumou? Será que toda vez que ele fala de amor para outra pessoa você sente a mesma vontade de matar ou morrer?
Por causa de todas essas suposições e essa curiosidade mórbida minha, desde o começo eu quis te ajudar, mas como? Como te ajudar se eu era o motivo do seu ódio? Mesmo, é claro, que você nem imaginasse isso, pois eu fiz de tudo para não fazer você sofrer. Eu não devia isso a você, pois você não é uma amiga para a qual eu preciso dar explicações, mas me senti na obrigação de não pisar nesse seu sentimento, me parecia tão errado saber do seu sofrimento e pisar nele. De modo que vivi meus dias com o seu amor na clandestinidade (haha) tentando ao máximo não te ferir.
De qualquer jeito, a questão é que eu quis te ajudar, ser sua amiga, ouvir teu choro e te consolar, pois viver em um mundo tão caótico de repente, deve estar te deixando louca. Mas estando tão envolvida nisso tudo e tendo ouvido algumas confissões dele a seu respeito e ler seus textos que falam dele me deixa de mãos atadas. Isso tudo faz de mim uma expectadora da sua tristeza e da alegria dele.
Confesso que por alguns dias senti raiva de você, mas juro que logo passou. Você é uma boa moça e eu não tinha o direito de sentir tanto despeito quanto eu senti. Ele foi seu antes e foi seu da maneira que jamais seria meu. Talvez isso te console um pouco.
E quanto a nova musa, deusa dele... Não é desejar o mal, tampouco é desejar o bem (eu suponho), mas as pessoas não mudam e ele vai ser sempre esse babaca que nós duas conhecemos. Pode durar pouco ou muito tempo, mas logo ela será outra sofrendo exatamente como nós duas e fará parte do nosso clubinho (in)feliz."